Escolha uma embalagem para encantar

Com um conceito em mente: uma história, uma experiência, uma narrativa escolhe-se a embalagem – a forma – para que a comunicação encante. Ao idealizar a forma, cada elemento selecionado tem um propósito, carrega um sentido, tornando a mensagem significativa.

As regras ajudam a organizar formas e conteúdos. O designer tem o poder de reinterpretá-las para comunicar visualmente o conceito, construindo um produto único e inusitado.

“Todo o design gráfico – toda a produção de imagens, independentemente do meio ou do objetivo – centra-se na manipulação da forma. A ‘forma’ é o substrato: contornos, linhas, texturas, palavras e imagens. Nosso cérebro utiliza a forma para identificar o que é visto; a forma é uma mensagem. Transformar essa forma em algo belo faz com que a tarefa de designer vá além de simplesmente unir elementos e apresentá-los a um público.”

Timothy Samara

Curiosidade

“Não pergunto a que ponto está chegando o mundo, ou qual será o caminho certo a seguir. Eu me pergunto: ‘E se eu fosse ele? E se eu fosse ela? O que sentiria, desejaria, temeria e esperaria? Do que teria vergonha, esperando que ninguém mais soubesse?’.

Meu trabalho consiste em me pôr no lugar de outras pessoas. Ou mesmo estar em suas peles. A força que me impele é a curiosidade. Eu fui uma criança curiosa. Quase toda criança é curiosa. Mas pouca gente continua a ser curiosa em sua idade adulta e em sua velhice.

Agora, todos sabemos que a curiosidade é condição necessária, até mesmo a primeira das condições, para todo trabalho intelectual ou científico. Mas quero acrescentar que em minha opinião a curiosidade é uma virtude moral. Uma pessoa interessada é uma pessoa um pouco melhor, um progenitor melhor, um parceiro, vizinho e colega melhor do que uma pessoa não curiosa. Um amante melhor também.”

Amós Oz

Quando pequena, eu via a curiosidade associada a algo proibido, talvez maldoso, pura bisbilhotice. Afinal, crianças eram tachadas de curiosas quando perguntavam algo que um adulto não tinha vontade de responder.

Depois fui vendo que a curiosidade tem nuances outras. E poderes outros também. A curiosidade pode ser um motor de solução, talvez um espaço propício ao encantamento. Pode ser antítese da estagnação e da apatia. Uma pessoa curiosa faz descobertas que os não-curiosos nem imaginaram questionar.

Isso porque o interesse é uma abertura de possibilidades para o entendimento de enigmas relacionados ao outro e ao mundo.

E qual a relação disso com a comunicação?

Comunicar pressupõe a existência de um interlocutor que habita seu mundo  peculiar. Comunicar partindo de um espaço de empatia e curiosidade é abrir um canal mais amplo, sensível, e, por isso, com maiores chances de tocar o outro.

Como anda a nossa curiosidade nas relações cotidianas? Temos exercitado o interesse genuíno para compreender o outro?

Quando a escrita merece espaço

“O questionamento dos textos meramente informativos começa cedo, quando os comunicadores sociais percebem que despachos curtos não são suficientes para transmitir a dramaticidade de conflitos domésticos ou, certamente, de uma guerra.”

Monica Martinez

Há muitas formas de comunicar algo.

Edi Fonseca, vestida com cores sóbrias e um colar de crochê, chegou para contar a história em um cenário previamente montado.

Ou:

 O colar não tagarelava pela sala, mas ele era um verdadeiro dedo-duro. Era como a prova do crime no filme policial ou a palavra sublime na poesia. Não interessa aqui dizer que ele era construído com nove argolas, nem tampouco contar que era feito de crochê. Isso porque partes isoladas não traduzem a magia. Cada um constrói a sua magia de modo singular. No caso de Edi Fonseca, a magia se dá por uma fusão de palavras, gestos, objetos e… olhos. Ah, os olhos!

Vestida com cores sóbrias, como quem não quer dar pistas – e por isso a relevância do colar! – Edi surge em um cenário previamente montado.

A objetividade é uma virtude.

Mas nem sempre a brevidade ou os despachos curtos conseguem transmitir a amplitude de uma situação.

A informação afastada de sua ambientação e conjuntura pode fazer um acontecimento complexo transformar-se em mais um número para constar nas estatísticas.

Qual a cor do seu dia?

“As cores são ações e paixões da luz.”

Johann Wolfgang von Goethe

As cores transmitem inúmeras sensações e seus significados variam nas diferentes culturas. Elas podem descrever um fato ou codificar uma informação. A escolha consciente da cor auxilia na transmissão de conceitos e emoções; revela e oculta informações.

Vermelho é fogo e paixão, mas também pode ser força ou morte! Amarelo: ouro, riqueza, energia e felicidade. O azul traz à tona o sentimento de confiança, tranquilidade; é uma das cores mais apreciadas! Associado à natureza , o verde remete à esperança, saúde e bem-estar. O branco é paz e pureza, enquanto o preto representa tristeza e luto, mas também modernidade, poder e elegância.

A combinação das cores e sua aplicação impactam no comportamento humano e na intenção da comunicação!

Dinamismo e emoção

“Não é o ângulo reto que me atrai. Nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual. A curva que encontro nas montanhas do meu País, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o Universo – o Universo curvo de Einstein.”

Oscar Niemeyer

No design, as curvas suscitam movimento, dinamismo e emoção, dando vida às peças! Gerando bem-estar, elas direcionam o olhar e remetem para a natureza.

Original ou trivial?

“É a forma que a reveste que faz com que uma história seja original ou trivial, profunda ou superficial, complexa ou simples, o que dá consistência, ambiguidade e verossimilhança aos personagens ou faz deles criaturas sem vida, marionetes.” Mario Vargas Llosa

A beleza como função

“A inclusão de obras de arte nos prédios projetados por Oscar Niemeyer foi uma constante em sua trajetória profissional. Ao compreender que ‘a beleza também é uma função’, o arquiteto definia a integração das artes como um fator fundamental para provocar a surpresa e o encantamento que somente as verdadeiras obras de arte conseguem provocar.”

Exposição Oscar Niemeyer – Territórios da Criação, Instituto Tomie Ohtake, maio 2019

Há uma grande distância entre a comunicação sem vida e a comunicação cuidadosamente personalizada, que delineia com assertividade e riqueza aquilo que se deseja transmitir.

Texto e linguagem visual podem se unir numa experiência inspiradora e se aproximar de uma peça de arte.

Nas mais diferentes áreas de trabalho, a beleza pode ser promotora de acolhimento e pertencimento.

O inglês Roger Scruton sugere: “A experiência da beleza nos orienta neste segundo caminho: ela nos revela que estamos à vontade no mundo, que o mundo está ordenado em nossas percepções como um lugar adequado à vida de seres como nós.”

A beleza e a comunicação têm um elo comum: a capacidade de convidar e agregar.