Numa roda de ciranda

“O mar estava tão belo
E um peixe amarelo
Eu vi navegar

Não era peixe não era
Era Iemanjá, Rainha
Dançando a ciranda, ciranda
No meio do mar, ciranda.”

(autor desconhecido)

Em algumas situações vivenciei dinâmicas de roda de ciranda em que o canto, a dança, a improvisação, a criatividade e o lúdico trouxeram encantamento e uma oportunidade de convivência para discutir questões socioambientais.

O grande pano azul flutua pelo ar nas mãos do grupo na roda de ciranda – o peixe amarelo, no centro do pano, convida para refletir sobre as questões que afligem o coração: a poluição das águas, o assoreamento dos rios, o tombar das matas… as questões sociais, o planeta em colapso.

Nessa grande roda de ciranda, a energia é pulsante. O compasso, marcado pela música, canta o abre a roda, o folclore, as cantigas sobre águas, matas, bichos… 

O movimento circular incentiva a busca por mudanças. Mudanças que começam no interior de cada um. Num fluxo crescente, o pano azul conecta todos os sentidos com a energia do bem querer, do mundo melhor, da vida pulsante em pura gratidão.

Indaia Emília | Agência de comunicação soma palavra e forma: lá, onde a transformação pode começar numa roda de ciranda.

Memórias passadas a limpo

Fiz uma arrumação no meu escritório.

Nas entranhas daqueles armários havia histórias de estudos e trabalhos. Fazia tempo que não passeava por aqueles becos.

A arrumação já finalizada trouxe uma revelação importante!

Após revisitar diversas etapas – estudos e cursos passados, trabalhos que foram significativos, publicações que fazem parte do meu portfólio e papeladas que foram recicladas – notei que alguns textos que escrevi numa determinada época, trabalho que não teve longa duração, tinham ganhado certa idealização na minha memória.

Mas, quando olhei as diversas anotações, pesquisas e entrevistas feitas para elaborar aqueles textos, notei que eu precisava seguir muitas regras, havia pouca liberdade criativa ou mesmo autonomia para aquele tipo de escrita.

E então – Eureka! – percebi o quanto eu estava idealizando aquela fase de trabalho e que o meu trabalho de hoje tem ingredientes pra lá de especiais que eu não estava atentando de forma consciente.

Os freelas em educação e meio ambiente, que são o forte na soma palavra e forma, geram a oportunidade de conhecer projetos com uma força transformadora que têm uma linha direta com as coisas que acredito. Propiciam, ainda, a liberdade de exercitar uma escrita e um olhar poéticos sobre mudanças positivas da sociedade. Quem diria que reciclar alguns papéis teria o efeito terapêutico de passar a limpo as memórias? Valeu adentrar as entranhas de madeira. Não pretendo demorar para revisitar aqueles becos – que logo vão se enchendo de novas histórias. Ainda bem!

Sibélia Zanon | Agência de comunicação soma palavra e forma: encantada por boas descobertas

O que nos molda?

“Para mim só existe um caminho, o caminho do coração. E nele eu viajo, viajo, olhando, olhando… sem fôlego.” Carlos Castañeda

O movimento para divulgar as mudanças climáticas gerado por Greta Thunberg, ativista sueca de 16 anos, reacendeu minhas memórias de infância e adolescência.

Na década de 70, filhotes de focas eram massacradas pela indústria da moda. Logo em seguida, as baleias sofriam com a caça predatória. Lembro das imagens dos bebês focas recortadas de jornais e revistas e coladas, formando um mosaico na guarda da minha cama.

Meus pais incentivavam a participação das quatro filhas nas lutas pela preservação. Escrevíamos cartas para os jornais, mobilizávamos outras crianças na escola e fazíamos abaixo-assinados, encaminhando para as autoridades. Eram as ferramentas que tínhamos em mãos.

Já adulta, militei numa ONG socioambiental por muitos anos. Lá aprendi que o pequeno pode ser grande. Aprendi outras lições complexas também. Tive meus conhecimentos e apreço pela natureza multiplicados.

Continuo pensando em nossas convicções e ações… em tudo aquilo que nos molda como seres humanos. Quais são as sementes que escolhemos lançar no universo?

Indaia Emília | Agência de comunicação soma palavra e forma: apaixonada por iniciativas transformadoras

Escolha uma embalagem para encantar

Com um conceito em mente: uma história, uma experiência, uma narrativa escolhe-se a embalagem – a forma – para que a comunicação encante. Ao idealizar a forma, cada elemento selecionado tem um propósito, carrega um sentido, tornando a mensagem significativa.

As regras ajudam a organizar formas e conteúdos. O designer tem o poder de reinterpretá-las para comunicar visualmente o conceito, construindo um produto único e inusitado.

“Todo o design gráfico – toda a produção de imagens, independentemente do meio ou do objetivo – centra-se na manipulação da forma. A ‘forma’ é o substrato: contornos, linhas, texturas, palavras e imagens. Nosso cérebro utiliza a forma para identificar o que é visto; a forma é uma mensagem. Transformar essa forma em algo belo faz com que a tarefa de designer vá além de simplesmente unir elementos e apresentá-los a um público.”

Timothy Samara

Curiosidade

“Não pergunto a que ponto está chegando o mundo, ou qual será o caminho certo a seguir. Eu me pergunto: ‘E se eu fosse ele? E se eu fosse ela? O que sentiria, desejaria, temeria e esperaria? Do que teria vergonha, esperando que ninguém mais soubesse?’.

Meu trabalho consiste em me pôr no lugar de outras pessoas. Ou mesmo estar em suas peles. A força que me impele é a curiosidade. Eu fui uma criança curiosa. Quase toda criança é curiosa. Mas pouca gente continua a ser curiosa em sua idade adulta e em sua velhice.

Agora, todos sabemos que a curiosidade é condição necessária, até mesmo a primeira das condições, para todo trabalho intelectual ou científico. Mas quero acrescentar que em minha opinião a curiosidade é uma virtude moral. Uma pessoa interessada é uma pessoa um pouco melhor, um progenitor melhor, um parceiro, vizinho e colega melhor do que uma pessoa não curiosa. Um amante melhor também.”

Amós Oz

Quando pequena, eu via a curiosidade associada a algo proibido, talvez maldoso, pura bisbilhotice. Afinal, crianças eram tachadas de curiosas quando perguntavam algo que um adulto não tinha vontade de responder.

Depois fui vendo que a curiosidade tem nuances outras. E poderes outros também. A curiosidade pode ser um motor de solução, talvez um espaço propício ao encantamento. Pode ser antítese da estagnação e da apatia. Uma pessoa curiosa faz descobertas que os não-curiosos nem imaginaram questionar.

Isso porque o interesse é uma abertura de possibilidades para o entendimento de enigmas relacionados ao outro e ao mundo.

E qual a relação disso com a comunicação?

Comunicar pressupõe a existência de um interlocutor que habita seu mundo  peculiar. Comunicar partindo de um espaço de empatia e curiosidade é abrir um canal mais amplo, sensível, e, por isso, com maiores chances de tocar o outro.

Como anda a nossa curiosidade nas relações cotidianas? Temos exercitado o interesse genuíno para compreender o outro?

Quando a escrita merece espaço

“O questionamento dos textos meramente informativos começa cedo, quando os comunicadores sociais percebem que despachos curtos não são suficientes para transmitir a dramaticidade de conflitos domésticos ou, certamente, de uma guerra.”

Monica Martinez

Há muitas formas de comunicar algo.

Edi Fonseca, vestida com cores sóbrias e um colar de crochê, chegou para contar a história em um cenário previamente montado.

Ou:

 O colar não tagarelava pela sala, mas ele era um verdadeiro dedo-duro. Era como a prova do crime no filme policial ou a palavra sublime na poesia. Não interessa aqui dizer que ele era construído com nove argolas, nem tampouco contar que era feito de crochê. Isso porque partes isoladas não traduzem a magia. Cada um constrói a sua magia de modo singular. No caso de Edi Fonseca, a magia se dá por uma fusão de palavras, gestos, objetos e… olhos. Ah, os olhos!

Vestida com cores sóbrias, como quem não quer dar pistas – e por isso a relevância do colar! – Edi surge em um cenário previamente montado.

A objetividade é uma virtude.

Mas nem sempre a brevidade ou os despachos curtos conseguem transmitir a amplitude de uma situação.

A informação afastada de sua ambientação e conjuntura pode fazer um acontecimento complexo transformar-se em mais um número para constar nas estatísticas.