Escritório em casa

Trabalho em casa e às vezes tem pássaro no comedouro, logo ali embaixo do abacateiro, não pego o trânsito de todo dia, pode ser que tenha feijão se fazendo na panela enquanto escrevo. Esse é o lado A. 

Do lado B há a exigência de uma disciplina que por vezes não tenho, demandas domésticas que não percebem que aqui também é um escritório, menos contato humano. 

A tecnologia ampliou a independência e eficiência, diminuiu certas distâncias e dispensou boa parte dos encontros presenciais.

Ter um escritório em casa pode significar escrever uma matéria de destaque para um editor desconhecido e assim ele permanecerá mesmo após a matéria ser publicada. 

De modo geral, acho que um texto escrito à distância ainda não é igual a um texto que emerge de momentos de presença física e imersão. Reuniões de pauta presenciais ainda guardam a chama do grupo, a riqueza da diversidade de ideias. 

O lado A do trabalho em casa é fantástico. É bom saber que nenhuma condição de trabalho vai contemplar todas as demandas humanas. Equilibrar o lado B e buscar completude é tarefa minha de cada dia.

Sibélia Zanon | Agência de comunicação soma palavra e forma: o lado A da vida.

Cheguei!

Voltei de viagem pensando que temos o hábito de romantizar as férias. Voltamos geralmente contando como tudo é lindo, como foi maravilhoso sair. Depois ficamos com as fotos e elas testemunham o melhor daqueles dias. Logo esquecemos a bolha no pé, o mau jeito no ombro ao carregar a mala atabalhoadamente, do hotel que não era tão bom.

Sim, descansar a mente ao ver novas paisagens é fundamental e o novo nos cutuca da estagnação.

Mas, tenho pensado muito na energia que nos acompanha a cada novo dia do cotidiano.

Será que daria para deixar-se cutucar pela vida e imprimir nova energia também no trabalho cotidiano?

Numa palestra, o rabino Nilton Bonder questionou: “A sua rotina tem uma relação de integridade com quem você é?” Segundo ele, essa relação faria com que cada um se arrastasse da cama como um escravo ou pulasse dela como um ser livre. Em Walden, Henry David Thoreau dá um empurrãozinho lindo nessa reflexão: “Temos de aprender a redespertar e nos manter despertos, não por meios mecânicos, mas por uma infinita expectativa da aurora, que não nos abandona nem mesmo em nosso sono mais profundo. Desconheço fato mais estimulante do que a inquestionável capacidade do homem de elevar sua vida por um esforço consciente.”

Sibélia Zanon | Agência de comunicação soma palavra e forma: a energia de cada dia

Memórias passadas a limpo

Fiz uma arrumação no meu escritório.

Nas entranhas daqueles armários havia histórias de estudos e trabalhos. Fazia tempo que não passeava por aqueles becos.

A arrumação já finalizada trouxe uma revelação importante!

Após revisitar diversas etapas – estudos e cursos passados, trabalhos que foram significativos, publicações que fazem parte do meu portfólio e papeladas que foram recicladas – notei que alguns textos que escrevi numa determinada época, trabalho que não teve longa duração, tinham ganhado certa idealização na minha memória.

Mas, quando olhei as diversas anotações, pesquisas e entrevistas feitas para elaborar aqueles textos, notei que eu precisava seguir muitas regras, havia pouca liberdade criativa ou mesmo autonomia para aquele tipo de escrita.

E então – Eureka! – percebi o quanto eu estava idealizando aquela fase de trabalho e que o meu trabalho de hoje tem ingredientes pra lá de especiais que eu não estava atentando de forma consciente.

Os freelas em educação e meio ambiente, que são o forte na soma palavra e forma, geram a oportunidade de conhecer projetos com uma força transformadora que têm uma linha direta com as coisas que acredito. Propiciam, ainda, a liberdade de exercitar uma escrita e um olhar poéticos sobre mudanças positivas da sociedade. Quem diria que reciclar alguns papéis teria o efeito terapêutico de passar a limpo as memórias? Valeu adentrar as entranhas de madeira. Não pretendo demorar para revisitar aqueles becos – que logo vão se enchendo de novas histórias. Ainda bem!

Sibélia Zanon | Agência de comunicação soma palavra e forma: encantada por boas descobertas

Curiosidade

“Não pergunto a que ponto está chegando o mundo, ou qual será o caminho certo a seguir. Eu me pergunto: ‘E se eu fosse ele? E se eu fosse ela? O que sentiria, desejaria, temeria e esperaria? Do que teria vergonha, esperando que ninguém mais soubesse?’.

Meu trabalho consiste em me pôr no lugar de outras pessoas. Ou mesmo estar em suas peles. A força que me impele é a curiosidade. Eu fui uma criança curiosa. Quase toda criança é curiosa. Mas pouca gente continua a ser curiosa em sua idade adulta e em sua velhice.

Agora, todos sabemos que a curiosidade é condição necessária, até mesmo a primeira das condições, para todo trabalho intelectual ou científico. Mas quero acrescentar que em minha opinião a curiosidade é uma virtude moral. Uma pessoa interessada é uma pessoa um pouco melhor, um progenitor melhor, um parceiro, vizinho e colega melhor do que uma pessoa não curiosa. Um amante melhor também.”

Amós Oz

Quando pequena, eu via a curiosidade associada a algo proibido, talvez maldoso, pura bisbilhotice. Afinal, crianças eram tachadas de curiosas quando perguntavam algo que um adulto não tinha vontade de responder.

Depois fui vendo que a curiosidade tem nuances outras. E poderes outros também. A curiosidade pode ser um motor de solução, talvez um espaço propício ao encantamento. Pode ser antítese da estagnação e da apatia. Uma pessoa curiosa faz descobertas que os não-curiosos nem imaginaram questionar.

Isso porque o interesse é uma abertura de possibilidades para o entendimento de enigmas relacionados ao outro e ao mundo.

E qual a relação disso com a comunicação?

Comunicar pressupõe a existência de um interlocutor que habita seu mundo  peculiar. Comunicar partindo de um espaço de empatia e curiosidade é abrir um canal mais amplo, sensível, e, por isso, com maiores chances de tocar o outro.

Como anda a nossa curiosidade nas relações cotidianas? Temos exercitado o interesse genuíno para compreender o outro?

Quando a escrita merece espaço

“O questionamento dos textos meramente informativos começa cedo, quando os comunicadores sociais percebem que despachos curtos não são suficientes para transmitir a dramaticidade de conflitos domésticos ou, certamente, de uma guerra.”

Monica Martinez

Há muitas formas de comunicar algo.

Edi Fonseca, vestida com cores sóbrias e um colar de crochê, chegou para contar a história em um cenário previamente montado.

Ou:

 O colar não tagarelava pela sala, mas ele era um verdadeiro dedo-duro. Era como a prova do crime no filme policial ou a palavra sublime na poesia. Não interessa aqui dizer que ele era construído com nove argolas, nem tampouco contar que era feito de crochê. Isso porque partes isoladas não traduzem a magia. Cada um constrói a sua magia de modo singular. No caso de Edi Fonseca, a magia se dá por uma fusão de palavras, gestos, objetos e… olhos. Ah, os olhos!

Vestida com cores sóbrias, como quem não quer dar pistas – e por isso a relevância do colar! – Edi surge em um cenário previamente montado.

A objetividade é uma virtude.

Mas nem sempre a brevidade ou os despachos curtos conseguem transmitir a amplitude de uma situação.

A informação afastada de sua ambientação e conjuntura pode fazer um acontecimento complexo transformar-se em mais um número para constar nas estatísticas.

Dinamismo e emoção

“Não é o ângulo reto que me atrai. Nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual. A curva que encontro nas montanhas do meu País, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o Universo – o Universo curvo de Einstein.”

Oscar Niemeyer

No design, as curvas suscitam movimento, dinamismo e emoção, dando vida às peças! Gerando bem-estar, elas direcionam o olhar e remetem para a natureza.