Quando a escrita merece espaço

“O questionamento dos textos meramente informativos começa cedo, quando os comunicadores sociais percebem que despachos curtos não são suficientes para transmitir a dramaticidade de conflitos domésticos ou, certamente, de uma guerra.”

Monica Martinez

Há muitas formas de comunicar algo.

Edi Fonseca, vestida com cores sóbrias e um colar de crochê, chegou para contar a história em um cenário previamente montado.

Ou:

 O colar não tagarelava pela sala, mas ele era um verdadeiro dedo-duro. Era como a prova do crime no filme policial ou a palavra sublime na poesia. Não interessa aqui dizer que ele era construído com nove argolas, nem tampouco contar que era feito de crochê. Isso porque partes isoladas não traduzem a magia. Cada um constrói a sua magia de modo singular. No caso de Edi Fonseca, a magia se dá por uma fusão de palavras, gestos, objetos e… olhos. Ah, os olhos!

Vestida com cores sóbrias, como quem não quer dar pistas – e por isso a relevância do colar! – Edi surge em um cenário previamente montado.

A objetividade é uma virtude.

Mas nem sempre a brevidade ou os despachos curtos conseguem transmitir a amplitude de uma situação.

A informação afastada de sua ambientação e conjuntura pode fazer um acontecimento complexo transformar-se em mais um número para constar nas estatísticas.

Qual a cor do seu dia?

“As cores são ações e paixões da luz.”

Johann Wolfgang von Goethe

As cores transmitem inúmeras sensações e seus significados variam nas diferentes culturas. Elas podem descrever um fato ou codificar uma informação. A escolha consciente da cor auxilia na transmissão de conceitos e emoções; revela e oculta informações.

Vermelho é fogo e paixão, mas também pode ser força ou morte! Amarelo: ouro, riqueza, energia e felicidade. O azul traz à tona o sentimento de confiança, tranquilidade; é uma das cores mais apreciadas! Associado à natureza , o verde remete à esperança, saúde e bem-estar. O branco é paz e pureza, enquanto o preto representa tristeza e luto, mas também modernidade, poder e elegância.

A combinação das cores e sua aplicação impactam no comportamento humano e na intenção da comunicação!

Dinamismo e emoção

“Não é o ângulo reto que me atrai. Nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual. A curva que encontro nas montanhas do meu País, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o Universo – o Universo curvo de Einstein.”

Oscar Niemeyer

No design, as curvas suscitam movimento, dinamismo e emoção, dando vida às peças! Gerando bem-estar, elas direcionam o olhar e remetem para a natureza.

Original ou trivial?

“É a forma que a reveste que faz com que uma história seja original ou trivial, profunda ou superficial, complexa ou simples, o que dá consistência, ambiguidade e verossimilhança aos personagens ou faz deles criaturas sem vida, marionetes.” Mario Vargas Llosa

A beleza como função

“A inclusão de obras de arte nos prédios projetados por Oscar Niemeyer foi uma constante em sua trajetória profissional. Ao compreender que ‘a beleza também é uma função’, o arquiteto definia a integração das artes como um fator fundamental para provocar a surpresa e o encantamento que somente as verdadeiras obras de arte conseguem provocar.”

Exposição Oscar Niemeyer – Territórios da Criação, Instituto Tomie Ohtake, maio 2019

Há uma grande distância entre a comunicação sem vida e a comunicação cuidadosamente personalizada, que delineia com assertividade e riqueza aquilo que se deseja transmitir.

Texto e linguagem visual podem se unir numa experiência inspiradora e se aproximar de uma peça de arte.

Nas mais diferentes áreas de trabalho, a beleza pode ser promotora de acolhimento e pertencimento.

O inglês Roger Scruton sugere: “A experiência da beleza nos orienta neste segundo caminho: ela nos revela que estamos à vontade no mundo, que o mundo está ordenado em nossas percepções como um lugar adequado à vida de seres como nós.”

A beleza e a comunicação têm um elo comum: a capacidade de convidar e agregar.

Palavra que aproxima

“Nós, humanos, pertencemos uns aos outros, mas não da maneira dos fanáticos , e não da maneira comercialmente infantil. Pertencemos uns aos outros no sentido às vezes atingido na boa literatura: no dom da curiosidade, na aptidão para imaginar a vida na pele de cada um dos outros. E depois o momento de graça, o momento metaforicamente judaico no qual traduzimos nossas profundas diferenças individuais no milagre das pontes construídas por palavras.”

Amós Oz

O tom do texto e o tom da voz são poderes paralelos, que vão além do significado da palavra e podem ajudar na construção de pontes ou, então, no erguimento de barreiras, na efetividade da comunicação ou na rejeição do receptor. Pensar no poder das pontes faz com que pensemos com mais cuidado na seguinte escolha: que tom queremos para a nossa comunicação?

Desenvolver a aptidão para imaginar a vida na pele de cada um dos outros é um gesto de empatia, de compreensão, mas também um passo na busca da efetividade da comunicação. Um discurso carrega impresso em si a história daquele que fala e também a sua intenção. Quando lapidado, carrega em si as palavras certas, capazes de construir uma conexão com o outro. Uma ponte para um outro coração, para uma outra história, para um novo encontro.

Se o caos se insinua em qualquer situação, o valor do uso de palavras-ponte torna-se ainda maior. Elas permanecem como milagres disponíveis, milagres ao alcance de ricos mortais. Ricos em curiosidade pelo outro, ricos em capacidade de percepção do outro, ricos na disposição de dar a palavra-aconchego. Ricos porque quem dá palavra-generosidade, recebe palavra-bênção em troca.

 Em 2019, a Soma palavra e forma quer continuar construindo pontes junto com você!

“Uma palavra caída

das montanhas dos instantes

desmancha todos os mares

e une as terras mais distantes…”

Cecília Meireles

Educando na Natureza

“Na medida em que a manhã ganha corpo, a névoa se faz presente, passeando pelo topo das montanhas. Ela tem uma história a contar: a floresta respira. Eu também respiro e o perfume do lírio-do-brejo não me deixa negar.

Na estradinha que leva ao Parque das Neblinas, as flores brancas se apresentam pelo aroma antes mesmo de se fazerem reconhecer pelos olhos.

Ter a natureza como educadora pode ser uma experiência transformadora, que começa com o despertar da curiosidade e segue adiante com muitas descobertas sobre o ambiente natural, sobre si mesmo e sobre o outro. Mas, antes de entrarmos definitivamente nesta trilha de experiências significativas, podemos começar fazendo algumas perguntas…

Para que serve uma vivência ao ar livre? Qual a importância do encontro entre seres humanos e natureza? Por que a natureza?”

Conheça mais e faça o download da publicação: Educando na Natureza

texto: Sibélia Zanon

projeto gráfico: Soma palavra e forma